Cenário: centro de Belo Horizonte.
Contexto: gente passando apressadamente pelas ruas, gente de todo tipo, gente rica, gente pobre, gente comprando, gente simplesmente passando, vendedores ambulantes anunciando seus produtos em alta voz, veículos circulando em alta velocidade, buzinando, freando, arrancando... Ruídos dos mais diversos, muita poluição visual, sonora, do ar, ruas sujas, mendigos dormindo nas sarjetas ou pedindo esmolas, catadores de papel trabalhando como burros de carga, exaustos, famintos, sedentos. Um cenário cinza. Cinza e triste. Cinza, triste e frenético. E caótico.
Em meio a tudo isso, estamos nós. Em meio a essa correria louca, desenfreada, estamos nós, correndo atrás de não sei o quê. Buscando não sei o quê. Correndo, não sei pra quê.
O que é valioso pra nós hoje, nessa sociedade que nos tirou o sentido da vida? O ter? O poder? O conquistar? Quais são os nossos valores agora?
Digo agora, porque antes as coisas não eram assim. Antes vivíamos nas florestas, nas cavernas, à beira de rios e córregos, em meio à natureza. Nossos valores giravam em torno de nossa família, da nossa rotina de trabalho comunitário e para a nossa própria subsistência, sem vistas ao lucro ou ao poder, com direito ao descanso justo, a momentos de lazer, de relaxamento, de meditação, a momentos de alegria e comunhão nos nossos rituais sagrados, a momentos de paz, de muita paz. Éramos felizes!
Pergunto: será que estamos realmente evoluindo?
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