No meu curso de pedagogia, uma professora pediu que fizéssemos uma auto-apresentação, que falássemos sobre nós mesmos, sobre nossa trajetória de vida até aqui, principalmente sob o ponto de vista da educação na vida de cada um. Bom, fiz o texto e gostaria de compartilhá-lho com vocês, fiéis leitores desse humilde blog... (rs)
Divirtam-se!!!
"Nasci em Belo Horizonte, no dia 10 de maio do ano de 1978. Sou a terceira de quatro irmãos, sendo duas irmãs mais velhas e um irmão mais novo que eu. Tive uma boa infância. Brinquei muito, aprontei, fiz amigos e aprendi muitas coisas. Até a quarta série do ensino fundamental estudei em uma excelente escola, onde o aprendizado marcou a minha vida e os valores a mim transmitidos perduram até hoje. A propósito, era uma escola particular.
Passada essa fase de infância, foi chegada a hora de encarar uma nova realidade: a escola pública. Tivemos dificuldades financeiras que não permitiram mais a minha permanência e a de meus irmãos na escola particular.
A minha realidade mudou completamente. Mas aprendi com isso. Aprendi que existem realidades diferentes, mas há pontos positivos em todas elas. Fiz muitas amizades na nova escola, fiquei mais "esperta", aprendi a me virar em diversas situações diferentes. O ensino não era de excelência, mas não deixei de aprender por isso, principalmente porque tinha tido uma boa base na escola particular e também no meio familiar.
Estudei nessa escola estadual da quinta série ao terceiro ano do ensino médio. Formei sem saber direito o que eu faria daí pra frente. Vestibular? O que era isso? Não se ouvia falar sobre vestibular na escola onde estudei. Portanto, caí no mercado de trabalho. Depois de uns três ou quatro anos, através de uma amiga, fiquei sabendo sobre o que de fato era o vestibular e me interessei muito. Decidimos prestar juntas o vestibular da UFMG, ambas interessadas em fazer o curso de Geologia. Fiz cursinho pré-vestibular, mas não foi o suficiente para me preparar para as provas. Sentia-me um peixe fora d'água. Todos aprendiam, menos eu. Tive muitas dificuldades, pois meu ensino médio foi cursado em uma escola que não me deu base alguma para enfrentar uma disputa pelo ensino superior. Sendo assim, tentei passar na UFMG por três anos seguidos e nã
o consegui. Portanto, desisti de tentar.Foquei-me no trabalho e segui minha vida. Passados alguns anos, comecei a pensar novamente em fazer um curso superior, pois eu queria ser uma profissional em alguma área específica, e não ficar pulando de emprego em emprego, sem uma definição do que seria meu futuro. Pensei na UEMG. Acessei o site da universidade e comecei a pesquisar os cursos oferecidos. Após fazer uma análise dos cursos, cheguei à conclusão de que o que mais me chamava a atenção era o curso de Pedagogia. Eu tinha (tenho) uma afinidade muito grande com crianças, gosto de ler, escrever e, consequentemente, ensinar crianças a ler e a escrever poderia ser uma tarefa muito prazerosa. Decidi então que eu queria ser uma pedagoga!
Estudei para as provas, fiz as leituras pedidas e chegou o dia do vestibular. Fui com muita fé e com a consciência de que era aquilo mesmo que eu queria. Não me saí mal nas provas e minha redação foi razoável. Depois de algum tempo, veio a confirmação: eu havia passado no vestibular! Com muita alegria, comecei o curso de Pedagogia na UEMG, em 2007. Por muitas vezes, veio o desânimo, a descrença na educação, o cansaço por trabalhar de dia e estudar à noite. Mas, com o decorrer do curso, fui percebendo as inúmeras contribuições que o curso me proporcionou. Embora hajam professores descomprometidos, disciplinas que julgo dispensáveis e cargas horárias que não fazem muito sentido, de uma maneira geral, o curso está me fazendo muito bem. Hoje sou, sem sombra de dúvida, uma pessoa mais crítica, que analisa mais, que pensa de maneira diferente, consciente das dificuldades do mundo e do meu papel na sociedade. Certamente, sairei da Faculdade de Educação da UEMG muito diferente de como entrei. Já mudei bastante nesse sentido.
Nesse semestre, comecei o curso de Letras na UFMG, simultaneamente ao curso de Pedagogia. Minha intenção é me aperfeiçoar no português para poder ensiná-lo da forma que deve ser, ou seja, com excelência. O que me levou a cursar Letras foi o fato de ver não só colegas de curso, mas também professores que não sabem escrever corretamente. E eu quero ser uma profissional capaz de ensinar uma pessoa a ler e a escrever bem. Já li livros importantes com erros imperdoáveis de gramática, de ortografia. Podemos ver também sérios erros de português em out doors, em jornais e revistas, em anúncios, em rótulos de produtos, em sites, blogs etc. Isso muito me incomoda e me faz pensar em como a educação tem falhado nesse sentido. O erro será da má formação dos professores? Acredito que esse seja o ponto principal, portanto preciso fazer a minha parte como educadora, ou seja, preciso ensinar com qualidade, com eficiência, com comprometimento e, acima de tudo, saber ensinar o correto. Sinto-me responsável por isso.
Hoje, cursando essas duas faculdades, sinto que estou no caminho certo. As coisas demoraram a acontecer para mim, mas creio que foi o melhor momento, pois agora estou mais madura e consciente do que quero. E estou muito feliz com minhas escolhas!"
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7 comentários:
Oi, Luciana!
Que coincidência...em um curso de formação para professores que estou atuando como formador, havia uma atividade bem parecida a esta que você fez...mas o título é "Quem sou eu como professor e aprendiz?"
Bom, vamos lá...ambos os cursos (Pedagogia e Letras) são ótimos. Letras, então, é excelente, pois proporcionará uma base cultural maravilhosa! Foi graças à faculdade de Letras que meu gosto pela leitura acentuou e conheci muitos autores, estilos literários, enfim, foi um curso certamente enriquecedor.
Aí segui pelo caminho das Novas Tecnologias da Informação & Comunicação na Educação e fui conhecer mais sobre pedagogia e grandes pedagogos e parti para a pós e aí é história...rsss
Educação, nós sabemos, enfrenta uma série de dificuldades. De todos os tipos: falta de estrutura, falta de compromisso governamental, desvalorização do docente, baixos salários, condições ruins de trabalhos, violência e drogas nas escolas, etc, etc e etc. Mas educação é algo...apaixonante, de certa forma. Eu, pelo menos, gosto.
Só duas coisas me deixam triste em relação a cursos de pedagogia, mas sem generalizar. 1) há professores que infelizmente não contemplam o cotidiano escolar em suas disciplinas e acabam desprezando as dificuldades que os professores enfrentam no dia a dia, quando isso deveria ser ressaltado nas aulas até para fortalecer o espírito crítico do futuro profissional;
2) infelizmente e não sei se é o caso aí, tenho participado de algumas oficinas e formações com graduandas de pedagogia e a maioria diz em alto e bom tom que 'não gosta de ler'. Complicado. Se por um lado essas pessoas não foram estimuladas, não tem jeito, tem que rever isso para que não cometam os mesmos erros ao não incentivar a leitura junto às crianças.
Ufa! Deixa eu encerrar aqui, escrevi muita coisa e pouco útil. De qualquer forma, parabéns por sua escolha!
abs!
passei para desejar um excelente feriado pra voce
bjs
Oi Luciana,
Boas escolhas, força de vontade e desejo de acertar você tem de sobra, então o caminho pode ter pedras mas certamente sua viagem interior vai tevar aos teus objetivos,
Gostei muito de saber um pouco mais de você pois são raras as oportunidades de conhecermos melhor nossos amigos virtuais.
Beijos
Olhei nas estatisticas do meu blog e um bom numero de visitantes passou primeiro no seu, para aterrisar depois no meu...
Acho que pode ser pelo fato de eu também postar coisas sobre viagens interiores, será?
Bom post, boas escolhas.
A cada passadinha que faço por aqui aprendo sempre uma coisa nova, assim como em outros blogs, por que no fundo todo mundo tem algo a ensinar.
Foi bom eu ter lido o seu texto por que achei que as coisas demorassem "só" pra mim. E o problema talvez seja esse, acharmos que o problema está "só" conosco. Temos que acreditar mais!
Te dou meu sinceríssimos parabéns, toda sorte, sucesso e alegria do mundo no seu campo de trabalho (e fora dele também, óbvio!). Que você aprenda cada vez mais (por que a vida é um constante aprendizado) e eu, estarei por aqui pra aprender SEMPRE (assim espero)!
Um beijo, fica com Deus!
PS: Quando eu me "encontrar" de verdade, espero sentir tão ou, mais a felicidade que sente nesse momento. Momento em que acredito que é quando nos conhecemos de verdade e vemos até onde vai o nosso limite, pra que a gente aprenda a se conhecer sempre mais, aceitando nossas dificuldades e vibrando com as nossas conquistas. Acho que é isso!
prazer em conhecer voce agora ;o)
essa nossa vida de amizades virtuais não nos faz saber muito sobre a pessoa, voce se apresentou (ta que na faculdade) mas colocou aqui, penso em fazer igual la no meu...
bjsss
Maravilhoso texto. E sou uma testemunha viva de que tudo o que vc escreveu é verdade...
E nunca se esqueça: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena".
Bjos da sua irmã e puxa saco,
Vivi
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